Rio de Janeiro, 27 de julho de 2009
Ilustríssimo Senhor
BRUNO RAMOS
MD.Subprefeito da Zona Sul
Prezado Subprefeito,
Faz dois anos e meio que o Rio de Paz, movimento que presido, tem lutado noite e dia pela redução das mortes violentas no Rio de Janeiro. Nesse período 24 000 pessoas foram vítimas de homicídio. A estatística oficial aponta para a assombrosa marca de 18 137 até Maio de 2009, sem contar com o número de pessoas desaparecidas (11 990), das quais julga-se que a maioria foi assassinada.
Visando manter a população informada sobre o principal problema social desse presente momento da história do estado que amamos, é que vimos por meio dessa solicitar o “Nada a opor” da área (5 metros quadrados de solo por 9 metros quadrados de altura) da areia da Praia de Copacabana, próximo ao calçadão (4 metros de distância), em frente à Avenida Princesa Isabel, para que ali seja afixado o que estamos chamando de Placar da Violência, no qual as estatísticas oficiais do governo referentes às mortes violentas, lesões corporais dolosas e pessoas desaparecidas seriam regularmente divulgadas e atualizadas.
Esse painel daria ensejo a tornarmos aquele ponto da praia, o lugar de encontro dos que não têm voz – homens e mulheres que perderam parentes assassinados – e que não têm lugar na região metropolitana para expressar sua dor de modo pacífico e que ao mesmo tempo possa ser vista, sem trazer confusão para a cidade do Rio de Janeiro.
Estamos certos de que um dia esse painel será retirado, pois a partir da sua fixação nas areias de um dos nossos principais cartões postais, nós da sociedade civil, ao lado do poder público do nosso estado, estaremos assumindo o compromisso de lutar pela redução dessas mortes. Quando esse dia chegar, retiraremos o Placar da Violência, numa grande festa jamais vista na Praia de Copacabana. O dia em que a vida terá vencido a morte.
Atenciosamente,
Antonio Carlos Costa
Presidente do Rio de Paz
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