A estatística oficial sobre a segurança pública, apresentada ontem pelo Instituto de Segurança Pública, nos permite finalmente fazer uma análise comparativa completa entre os números de morte violenta nos dois últimos governos do Estado do Rio de Janeiro. Não há item mais importante do que este. Ele envolve as seguintes modalidades: homicídio doloso, latrocínio, lesões corporais seguidas de morte, auto de resistência, policiais civis e militares mortos em serviço.
A boa notícia é que em praticamente todos esses pontos, quando contrastamos o desempenho do governo anterior (2003-2006) com o atual (2007-2010), percebe-se nitidamente -pelos números de que dispomos- que houve queda de letalidade violenta, o que representou 3 777 vidas salvas. Senão vejamos:
- Homicídio doloso: 26 005 (2003-2006). 22 396 (2007-2010). Diferença: 3 609.
- Lesão corporal dolosa: 209 (2003-2006). 182 (2007-2010). Diferença: 27
- Latrocínio: 782 (2003-2006). 751 (2007-2010). Diferença: 31
- Auto de resistência: 4 339 (2003-2006). 4 276 (2007-2010). Diferença: 63
- Policiais civis mortos em serviço: 20 (2003-2006). 25 (2007-2010). Diferença: 5
- Policiais militares mortos em serviço: 136 (2003-2006). 84 (2007-2010). Diferença: 52
Sendo assim, houve 59 205 mortes violentas no Estado do Rio de Janeiro entre os anos 2003 e 2010: 31 491, no governo Rosinha, e 27 714 no governo Cabral.
Todo amante da vida, independentemente da sua preferência partidária, deve celebrar a preservação de 3 777 vidas humanas. Um dos sonhos do movimento Rio de Paz é voltar às areias de Copacabana portando bandeiras brancas no lugar de cruzes negras. Em vez de lamentar a morte, exaltar a vitória da vida. Aplaudir o seu governo, em vez de pressioná-lo a agir.
A história do Rio de Paz tem grande relação com a história do governo Cabral. Ele assume e nós vamos para as ruas, movidos pelo clima de terror que se estabeleceu na cidade no final de 2006. Queda de homicídio no atual governo representaria prova de que a pressão pacífica nas ruas dá resultado. Houve evolução, mas precisamos ser cautelosos. Por essa razão, decidimos adiar a manifestação-celebração, apesar de contentes com tanta coisa boa que o atual governo está fazendo pela segurança pública.
Os números de morte violenta foram e ainda são muito altos. Não apenas isso. Ninguém sabe ainda em que extensão houve queda real de homicídio. Isto precisa ser enfatizado para que o nosso aplauso seja conseqüente. Vidas humanas estão em jogo.
Há assassinatos que não constam em nenhuma estatística. Sabe-se de tentativas de homicídio que resultaram em óbito que não foram lançadas na relação de homicídio doloso. O sujeito foi golpeado ou levou um tiro e não morreu na hora. Jamais houve pesquisa sobre essa modalidade de crime.
Milhares desapareceram e jamais serão vistos retornando para casa porque seus corpos jazem no fundo da Baía de Guanabara e em cemitérios clandestinos. Muitos foram devorados por porcos e jacarés. Número incontável foi incinerado. Entre os desaparecidos há aqueles cujos desaparecimentos não foram registrados em delegacia alguma. Essa gente que desapareceu e que foi morta precisa constar na estatística de homicídio doloso. Pesquisa mais ampla do que a que foi feita pelo ISP, e que inclua os desaparecidos não registrados, tem que ser realizada, se é que queremos apontar para uma redução de homicídio baseada em fatos.
Convém ressaltar que as modalidades supramencionadas de crime cresceram no atual governo. Entre 2003 e 2006 houve 15 700 tentativas de homicídio, contra 16 809 no governo atual. No governo Rosinha 18 318 casos de desaparecimento foram registrados em delegacia, enquanto no governo Cabral esse número subiu para 20 604.
Não há a mínima dúvida de que há muito mais gente morta por aí. Infelizmente. Solicitamos que o Instituto de Segurança Pública atenda ao ofício que encaminhamos em setembro do ano passado, pedindo que seja feita pesquisa sobre tentativa de homicídio que resultou em óbito e desaparecidos registrados e não registrados em delegacia. A democracia e a justiça amam a luz.
Antônio Carlos Costa
Presidente do Rio de Paz
Recent Comments