Foi impossível assistir à cobertura feita pelos telejornais dos enterros das crianças que foram vítimas do massacre em Realengo, e não ter a noite de sexta-feira destruída. O drama das vítimas e, dos avós, irmãos, pais, tios, amigos fez descer profundo abatimento sobre a alma de milhares. O que é um pai e uma mãe reconhecerem o corpo do filho, ainda criança, assassinado com tiro na cabeça? Um pedaço de nós se foi nessa barbárie.
Tentamos entender o que pode levar um ser humano a cometer tamanha maldade. Milhares têm procurado perscrutar a mente do homicida. Como entrar no trevoso labirinto da mente de um assassino de meninos e meninas que encontra-se morto?
Há uma tarefa mais fácil de ser cumprida por nós cidadãos cariocas. Trata-se do trabalho de investigar como -homens perversos podem tão facilmente obter arma e munição- para interromper vidas humanas. O comércio ilegal de ambas as coisas é o principal meio encontrado por criminosos para disseminar desgraça.
Por isso, o Rio de Paz convida a sociedade carioca a participar de um ato público nas areias da praia de Copacabana, em frente à avenida Princesa Isabel, neste próximo domingo a partir das 15h, no qual será reivindicado o combate ao tráfico de arma e munição. O Estado do Rio de Janeiro não produz nem uma coisa nem outra. Como chegam aqui?
O Rio de Janeiro deve, de igual modo, expressar solidariedade aos seus conterrâneos enlutados. Temos que encontrar uma forma de dizer para essas famílias: sentimos a sua dor. Levaremos à praia 12 bandeiras brasileiras manchadas de tinta vermelha, que serão penduradas em varais, simbolizando, nas palavras da presidente Dilma Roussef, os brasileirinhos mortos. O ato público será encerrado com uma expressão dramatizada de compaixão pelas famílias das vítimas.
Não deixe de estar conosco, portanto, nesse domingo em Copacabana. A luta pela garantia do direito à vida e o amor solidário demandam ação de todos nós, nesse episódio tragicamente singular da história do Rio de Janeiro, mas que pode ser um divisor de águas, levando-nos a lutar ao lado do poder público para vivermos numa cidade verdadeiramente pacificada.
Antônio Carlos Costa
Presidente do Rio de Paz
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