O que aconteceu na história recente do país foi uma iniquidade. Durante o regime militar, 120 militantes políticos desapareceram, como forma de se combater suas ideias e práticas. Sabe-se que aviões decolavam levando presos que, em estado de agonia, eram lançados no mar.
Hoje, em plena democracia, pessoas estão também desaparecendo, após terem sido executadas. Há número incontável de casos no Estado do Rio de Janeiro.
Recentemente, mais uma pessoa desapareceu. Só que, desta vez, um menino de apenas 11 anos, que segundo testemunha havia sido baleado numa operação policial. A família está arrasada. Parentes estão com medo de sofrerem retaliação. Além da dor sofrida, a família permanece hoje oculta, em algum lugar, após ter entrado no Programa de Proteção à Criança e ao Adolescente Ameaçado de Morte.
O Rio de Paz, movimento sem vínculo político-partidário, que não recebe verba pública, e que tem como meta a defesa do direito à vida, começou sábado passado uma campanha na região metropolitana do Rio de Janeiro, visando não deixar esse drama passar em branco. Temos levado uma faixa com a foto do menino e com a pergunta "Onde está Juan?" para várias localidades, pedindo para as pessoas participarem, como forma de protesto, deixando-se fotografar ao lado da faixa. Dezenas de fotos com centenas de pessoas já foram batidas.
A última foto será tirada no próximo sábado (9), na Praia de Copacabana, em frente a avenida Princesa Isabel, com concentração iniciando-se às 10h30.
Todos deverão vir de camisa preta. A faixa será estendida, as pessoas serão convidadas a se posicionar ao lado dela e centenas de fotos serão batidas por alguns dos principais fotógrafos do Brasil, ganhando assim as páginas de jornais e revistas. Certamente muita filmagem será feita. Consequentemente, a mensagem será emitida: Todo o Rio quer saber "Onde está Juan?"
Participe. Esse é o Brasil que está nascendo. O país de um povo esclarecido, e que não pode deixar de protestar -quando um ato hediondo como o que aconteceu com o Juan e sua família-, ocorre. Segurança pública sem democracia é proteção para poucos e ameaça de morte para todos, a não ser que abdiquemos do direito de ser autêntico. Democracia sem direito à vida é liberdade para matar e vulnerabilidade para morrer. Queremos democracia e segurança, liberdade e justiça: nem ditadura, nem anarquia.
Antônio Carlos Costa
Presidente do Rio de Paz
Ps Veja o link das fotos da campanha -Todo o Rio quer saber "Onde está Juan?"
Todo o Rio quer saber "Onde está Juan?"
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