
Agora é hora de mudar cartaz. Quanta luta, catando migalhas de consciência cidadã, durante dias, sem saber se teríamos mais gente dos meios de comunicação do que manifestantes na marcha. Mas não fomos envergonhados. Centenas de pessoas foram para as ruas conosco, e pela primeira vez, uma marcha contra a impunidade.
Parabéns aos que participaram. Pastores, igrejas, parentes de vítima, bombeiros, policiais civis, ativistas sociais. E por que não dizer, repórteres, jornalistas, cinegrafistas, fotógrafos, que interagem conosco como se fossem militantes da causa.
Agora é levar as reivindicações pessoalmente ao poder público.
Ontem fui dormir bem melancólico. Estava feliz com a resposta de tantos amigos e cobertura do meios de comunicação e agências internacionais de notícia. O que me feriu foi rever na marcha o Jaldenir e um dos seus filhos. O Jaldenir tinha outro filho, de nome William. Este menino de 19 anos era membro de uma banda de música evangélica. Em 2008 ele se encontrava na sua comunidade pobre, no bairro de Bangu, quando houve uma operação policial que interrompeu brutalmente sua vida. "Sou da comunidade, sou evangélico". Foi seu grito final. Impiedosamente morto por um policial, que desferiu um tiro de longe que atingiu o William, e ao se aproximar o executou com um tiro na cabeça. Percebendo que o músico evangélico era inocente, arrumou uma mochila, na qual, covardemente, botou uma pistola 765, 158 papelotes de cocaína e uma granada. Os pais tiveram que enterrar o filho como se este fosse um bandido.
Nada me faz mais lutar por esta causa do que o drama desses pais e mães.
Antônio Carlos Costa
Veja a beleza de cobertura da TV Globo
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