A cruz preta de cinco metros de altura, que há 78 dias encontra-se fincada nas areias da Praia de Icaraí em Niterói -em memória da juíza Patrícia Acioli-, assassinada no dia 11 de agosto, por combater o crime organizado no município de São Gonçalo, mudará de local neste próximo domingo e será simbolicamente carregada por outra família.
Era desejo da família da magistrada, desde o início, que a cruz permanecesse na praia até a elucidação do crime, o que, para o entendimento da família, já houve e de modo amplamente satisfatório, num excelente trabalho de investigação da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.
Ao saber da decisão de se retirar a cruz da Praia de Icaraí, a família da engenheira Patrícia Amieiro, desaparecida desde o dia 14 de junho de 2008, decidiu num gesto simbólico passar a "carregar" a cruz, como expressão do seu desejo de que haja o mesmo empenho tanto na investigação sobre o seu desaparecimento, quanto nos demais casos de homicídio sem esclarecimento que ocorreram no Estado do Rio de Janeiro nos últimos anos.
O ato público seguirá o seguinte roteiro:
Praia de Icaraí (em frente à rua Miguel de Frias). Domingo 30 de outubro às 16h. Na presença de parentes e amigos da juíza Patrícia Acioli e pais da engenheira Patrícia Amieiro, voluntários do Rio de Paz retirarão a cruz das areias da praia.Ela será novamente pintada de preto na segunda-feira (31), dia em que a ONG confeccionará um novo Placar da Violência, com os números da estatística oficial (ISP) de mortes violentas ocorridas entre 2007 e julho de 2011.
Praia de Copacabana (em frente à avenida Princesa Isabel). Terça-feira 1 de novembro às 10h. Na presença de parentes e amigos de ambas as famílias, a cruz e o Placar da Violência serão fixados nas areias da praia. A família da engenheira Patrícia Amieiro pedirá na ocasião que a prefeitura do Rio de Janeiro permita que tanto a cruz quanto o placar permaneçam no local até o dia 4 de dezembro do presente ano, quando uma homenagem será prestada no mesmo local a todas as vítimas de homicídio do Estado do Rio de Janeiro nos últimos anos.
Ambos os atos públicos terão como meta apresentar ao poder público as seguintes reivindicações:
1. Maior empenho no combate às mortes violentas.
2. Transparência na estatística oficial de mortes violentas.
3. Aumento no índice de de elucidação e punição dos autores de crimes contra a vida. No Estado do Rio de Janeiro 92% dos homicidas não são punidos.
Declaração do primo da juíza Patrícia Acioli, Humberto Nascimento Lourival:
1) Agradecemos o empenho e a solidariedade da ONG Rio de Paz , que, logo após esse crime bárbaro que chocou o país, fez coro com nossa indignação e nosso clamor por justiça.
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