Os parentes de vítima da violência prestarão homenagem neste domingo (4) aos que tiveram a vida interrompida pelo crime nos últimos anos no Estado do Rio de Janeiro. Um painel de 4 metros de altura por 10 metros de comprimento, com os nomes de centenas de vítimas, será fixado nas areias da praia.
No local onde se encontram a Cruz da Patrícia e o Placar da Violência, um grande lençol será extendido, onde serão lançados 31 mil grãos de feijão preto, simbolizando o número análogo de mortes violentas no Estado do Rio de Janeiro entre os anos 2007-2011. Um varal de fotos estampadas em camisas brancas será fincado atrás da cruz.
Cinegrafistas prestarão homenagem especial ao companheiro de trabalho, Gelson Domingos, morto recentemente enquanto fazia a cobertura de uma operação policial na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Um cartaz será aberto na praia com a seguinte frase: "Gelson Domingos, o tiro que acertou o seu peito, atingiu os nossos olhos".
O ato público será realizado na Praia de Copacabana, em frente à avenida Princesa Isabel, a partir das 10h.
"O número gigantesco de mortes violentas em tão curto espaço de tempo, a dor incalculável produzida no coração de parentes e amigos enlutados e a magnitude do problema histórico da violência, deveriam levar todos os setores da sociedade a lutar pelo sonho da pacificação do Rio de Janeiro".
"Ainda se mata muito no nosso Estado. Quase 31 mil mortes violentas em apenas 4 anos e meio (2007 - julho 2011). A estatística oficial não é conclusiva, uma vez que não inclui os casos de desaparecimento registrado (24 mil, aproximadamente) e não registrado em delegacia que resultaram em óbito. Um estudo recente do Ipea, feito pelo pesquisador Daniel Cerqueira, com base nos dados da área da saúde, aponta para milhares de mortes violentas de causa indeterminada, que não constam na estatística oficial de homicídio. Se isto é um fato, trata-se de algo escandaloso. Não afirmamos que haja fraude, mas precisa haver mais empenho a fim de que esses números sejam apresentados de modo claro e exato, para que possam ser acompanhados de perto pela sociedade civil. O ISP está há quatro meses sem atualizar os dados da segurança pública no seu site".
"Não podemos deixar de apoiar o governo do Estado do Rio de Janeiro na sua luta pela retomada das áreas que se encontravam sob domínio territorial armado de facções criminosas. Entendemos que essa iniciativa é um marco na nossa história. Não deve ser visto como inimigo do Estado, contudo, aquele que se levanta para cobrar outras tantas medidas que precisam ser implementadas com urgência, a fim de que ocorra uma queda significativa no número de mortes violentas. Urge, por exemplo, que haja a reforma de ambas as polícias, associada à consequente valorização do profissional da segurança pública".
Antônio Carlos Costa
Presidente do Rio de Paz
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